Por Angelo Tedeschi

Carlos Eduardo do Amaral, de 28 anos, é um brasileiro que mora em Dublin desde 2008.

Como muitos brasileiros, Amaral chegou à Irlanda com o objetivo de conseguir fl uência no inglês, recuperar o dinheiro investido no intercâmbio e conhecer a maior quantidade possível de países. Tudo estava indo muito bem até Julho do ano passado, quando começou a sentir dores na região abdominal e teve sangramento anal.

Preocupado com a situação, ele procurou ajuda médica e após realizar uma série de exames em um hospital de Dublin, os médicos constataram que ele estava com um estágio avançado de câncer no intestino. “As primeiras dores começaram em fevereiro de 2012, mas eu só fui procurar ajuda em julho, quando as dores fi caram mais fortes e iniciou o sangramento”, conta Amaral.

Por a doença estar em um estágio avançado, ele teve que tomar uma decisão muito difícil: continuar o

tratamento na Irlanda ou retornar para o Brasil para se tratar. “Em um curto espaço de tempo tive que fazer essa escolha e por não ter um plano de saúde no Brasil e já ter iniciado o tratamento decidi fi car em Dublin”, explica.

Tomada a decisão, o brasileiro iniciou outra série de exames para que os médicos pudessem avaliar qual procedimento cirúrgico seria realizado primeiro. Com os resultados dos exames, os médicos optaram por fazer uma cirurgia para desbloquear o intestino e colocar uma bolsa intestinal.

Após a cirurgia ter sido realizada com sucesso, Amaral iniciou o tratamento de quimioterapia e radioterapia. “A quimioterapia eu fazia quinzenalmente, já a radioterapia acontecia de segunda a sexta. Passei a viver praticamente dentro do hospital”, conta. Em fevereiro deste ano, o brasileiro passou pela segunda e mais complicada cirurgia. Os médicos tiveram que remover o tumor que estava alojado no intestino, a próstata, a bexiga, as vesículas seminais e parte do reto. “Essa segunda cirurgia também foi considerada um sucesso principalmente pela retirada total do tumor, embora ainda exista a possibilidade de o tumor voltar”, explica.

Depois desta intervenção cirúrgica, ele retomou o tratamento de quimioterapia e está sendo  monitorado de perto pelo corpo clínico. “Vou ao hospital para realizar a quimioterapia a cada quinze dias e tenho acompanhamento de vários médicos como, por exemplo, Urologista, Psicólogo, Oncologista, Endocrinologista e Clínico Geral”, diz.

Uma nova rotina

Com a descoberta da doença no ano passado, Amaral teve que mudar radicalmente sua rotina na Irlanda. Foi necessário parar de estudar e abandonar o emprego de garçom que tinha em um
restaurante. “Precisei me adaptar a essa nova realidade muito rápido e, por orientação médica, passei a cuidar exclusivamente da minha saúde”,  conta. Por ter que deixar o emprego, Amaral fi cou sem ter nenhuma fonte de renda e passou a contar com a ajuda de amigos para continuar o tratamento em Dublin. “Estou morando de favor na casa de uma amiga que, além de me dar moradia, me ajuda
com alimentação e todo suporte que preciso”, revela.
Além disso, o jovem descobriu durante o tratamento que o seguro saúde que ele possui não cobre nenhum tipo de tratamento de câncer e doenças pré-existentes. “Quando fui informado pelos médicos dessa cláusula contratual no meu seguro saúde fi quei sem saber o que fazer.
Foi então que eles me disseram que isso não impediria que eu continuasse o tratamento, já que o pagamento pelos serviços não precisava ser feito agora, podendo ser realizado quando eu tiver condições de arcar com as despesas”, explica.

Apesar de ainda não precisar pagar pelo tratamento, uma coisa ele não pode deixar para pagar depois:
os medicamentos. Em decorrência do tratamento pelo qual está sendo submetido, o brasileiro tem que
comprar vários remédios todo mês. “Tenho um gasto mensal em torno de 400 euros com  medicamentos que não posso deixar de tomar. A compra desses remédios é minha maior difi –
culdade, já que não posso trabalhar e minha família no Brasil não tem condições de me enviar essa quantia”, conta.
Para conseguir comprar os medicamentos necessários, Amaral conta com a ajuda de amigos e pessoas que ele nem conhece. “Meus amigos têm me ajudado muito, principalmente com a compra dos remédios que eu preciso. Além disso, tenho recebido a ajuda de amigos dos meus amigos, pessoas que eu nem conhecia”, diz o jovem.

Família e futuro

Além da questão fi nanceira, outra difi culdade enfrentada pelo brasileiro está sendo ter que suportar a distância da família nessa fase difícil. “É muito complicado ter que passar por tudo isso sem ter a minha família por perto. Apesar de conversar com eles diariamente pela internet, a saudade é
muito grande, mas sei que eles estão junto comigo nessa batalha e que vou conseguir me recuperar e voltar a ter  uma vida normal em breve”, diz o jovem. A previsão é que ainda este ano Amaral possa ter uma vida normal novamente, embora mesmo com o fi m do tratamento ele ainda vai ter acompanhamento médico de perto pelos próximos cinco anos. “Estou ansioso para retomar minha vida e otimista quanto ao futuro. Tenho certeza que o pior eu já superei ”, finaliza.

 

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